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sábado, 7 de agosto de 2010

Blá Blá Blá






Elas falam:


Ana:  Hey, mas eu não quero!

Maria: Mas minha querida é para o bem de todos, você vai ser uma heróina, veja bem: vai se sacrificar para o bem de um conjunto maior, vai ser nossa Madre Tereza, você é uma boa menina. Vai ser ótimo para você, novas experiências e novas pessoas.

Ana: Poxa vida, eu não queria mesmo, mas tudo bem!

Elas pensam:

Ana: Droga, fala sério (Escorre uma lágrima). Já devo estar com cara de choro e as bochechas vermelhas da raiva que estou sentindo. Por que eu? Sempre fiz tudo direito, já me acostumei com tudo e com todos, sei onde estão todos os lápis, decorei todos os nomes, ajudo a lavar a louça, chego sempre na hora e tem aquele motivo especial pelo qual eu não quero me afastar (Chorando). Que coisa, ela não vai me entender essa cara de madrasta malvada que envenena maçãs não me agrada, que mulher azeda. Não pode ao menos dar uma de "sou uma pessoa que ama" e me entender sem eu ter que me debulhar em lágrimas? Qual o problema? Garanto que nem se interessa pelo meu problema maior (Chorando desesperadamente entre soluços e falta de ar). Seu réptil venenoso sem coração.

Maria: Sabe como é, conheço seu coração mole e o vestígio de escrava sofredora que há em você, que, de todo esse processo é a parte mais fraca e mais fácil de ser convencida. Uma hora vai acabar cedendo e você vai dizer que sim, eu sei. Adoro gente de coração mole, bem no seu estilo, deve ter sido uma criança/adolescente fácil de se convencer, até tenho pena porque deve ter ficado sem algumas balas ou coisas do tipo, dane-se. Anda menina, não tenho a manhã toda, desembucha de uma vez.

Ana: Que saco, eu não quero, mas vou acabar concordando e qual o meu problema? Por que me sinto na obrigação de ceder e anular a minha felicidade e o meu conforto? Isso é sacanagem. (Respira fundo, o ar enche seus pulmões e repleta de tanta vida ela morre um pouco por dentro ao lembrar da primeira vez que ficou sem as balas que seu avô lhe dava nos fins de semana). Acho que não tem mal nenhum em morrer um pouco, dizem que a morte do um as vezes serve pro bem dos duzentos e cinqüenta. Acho que ela está certa, (os outros sempre estão) talvez eu que seja a errada...


Priscila Tonon Ramos

2 comentários:

Carol Tonon disse...

tenho que dizer que essa Ana aí é muito pastel. Se fosse eu, não cedia.

Priscila's disse...

"Adoro gente de coração mole, bem no seu estilo, deve ter sido uma criança/adolescente fácil de se convencer, até tenho pena porque deve ter ficado sem algumas balas ou coisas do tipo, dane-se. Anda menina, não tenho a manhã toda, desembucha de uma vez." =~

e tenho que discordar da carol.
a questão não é só ser pastel.
eu entendo.
e eu fico realmente chateada pela ana :/
odeio ver essas injustiças.