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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Esqueça

“Esqueça, se ele não te ama. Esqueça, se ele não te quer.”
Assim começa a música “esqueça”, da Marisa Monte, cujas frases me fizeram lembrar de duas coisas.
A primeira é uma situação que vem acontecendo comigo recentemente: ser esquecida por alguém. Mas ser esquecida literalmente, inclusive de ser avisada e de ganhar ao menos um “tchau, não quero mais saber de você”. Dói ver que quem antes lhe declarava uma grande e eterna amizade não teve sequer o trabalho de olhar para trás e dizer adeusinho. Ver que as relações humanas são absurdamente frágeis, que infelizmente não dependem só de um, mas do outro também, e que quando este cansa ou desaparece sem deixar rastros ou motivos, não se tem o que fazer. A não ser, seguindo o conselho da dona Marisa, esquecer – se isso for possível (o que normalmente não é, quando se gosta realmente da fulana ou do fulano, que provavelmente deixou marcas importantes no nosso próprio modo de ser e, consequentemente, na memória).
A segunda lembrança foi referente a uma foto que fiz há cerca de um ano, cuja composição mostrava metade de uma xícara sobre um pires e, sobre este, a conhecida tecla “delete”. Era só e creio que bastava. Estava li o desejo de deletar não um arquivo digital, mas uma pessoa, alguns anos e principalmente os momentos, além de mostrar o anseio desesperado por qualquer coisa que aliviasse a difícil digestão de uma decepção repentina. Era o retrato da vontade de esquecer instantaneamente, sem ter que esperar o tempo passar, pois ninguém quer conviver com lembranças dolorosas e nem carregar na memória (e na saudade) uma pessoa que se foi por livre e espontânea vontade.
Queremos é esquecer já! Queremos que quem não nos ama, quem não nos quer, vá pro raio que o parta e leve consigo qualquer vestígio de sua existência em nossa humilde vidinha.




Priscila Bonatto

Um comentário:

Priscila Tonon Ramos disse...

realmente eu me identifiquei com seu texto ¬¬
SAUSHAUHSUAHSUAHS