Incompatibilidade tecnológica
Se um dia eu te pedir algo como um notebook, um cabo USB, uma câmera digital, mp4 ou qualquer coisa que tenha ligação com a demo, digo, com a tecnologia, não caia na besteira de, num ato de gentileza e solidariedade, entregar o aparelho em minhas mãos. Você pode se arrepender ou, o que é pior, receber de volta o seu produto com problemas.
Não, eu não tenho nenhuma tara por desmontagem ou destruição de aparelhos tecnológicos. Eles é que não vão com a minha cara! Meu namorado diz que é a minha energia, negativa demais, que pula para dentro das máquinas deixando-as “rebeldes”, o que não parece tão absurdo, já que quando ele coloca o dedinho no meu mouse normalmente as coisas – que antes travavam e se recusavam a trabalhar - funcionam que é uma beleza. Outra amiga sugere que seja burrice. Eu acho que é conspiração. Mas vai saber.
Se um computador tem um defeito enrustido, pode ter certeza que será comprado por mim. Se um mp4 tiver garantia de um ano e estiver planejando um estrago logo depois deste período, as probabilidades de ele sair da loja direto para o aconchego do meu lar são enormes. E assim por diante, com qualquer coisa que utilize energia elétrica, exija um monte de cabos ou conecte-se através dos ares. Talvez por isso, sempre que eu compro alguma coisa nova, preocupo-me em verificar se não tem problemas. Analiso, fico meia hora me decidindo e mesmo assim levo a nova aquisição para casa com a sensação de que alguma coisa não vai dar certo.
Eu estou escrevendo num notebook e postando num blog, o que pode servir de argumento caso alguém queira me chamar de mentirosa. Mas isso é pura sorte! Alguns minutos atrás eu estava pendurada no telefone, ouvindo aqueles malditos jingles de espera na esperança de resolver um problema com a conexão da internet. Foi só ouvir o “bom dia, meu nome é fulano de tal, com quem eu falo?” que imediatamente o ponto de exclamação que indica a ausência de acessibilidade à internet desapareceu do monitor, acusando que agora eu poderia passear livremente pelo mundo virtual. O atendente realizou um teste no qual verificou uma perfeita conexão. Contei que o problema (que agora se escondia) acontecia com frequência e ele disse que poderia ser um defeito no modem ou no roteador.
Se o fulano me conhecesse um pouco melhor, talvez sugerisse que o defeito está é na minha relação pessoal com essas coisas cheias de cabo e sinais abstratos, que é inútil continuar insistindo nas ligações para assistências técnicas e que eu deveria começar a cogitar a possibilidade de ir pro meio do mato e largar mão desse universo cheio de tomadas, personalidades rebeldes, wi-fi e mais um monte de nome estranho.
Texto e foto: Priscila Bonatto
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