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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mundo Louco, Mundo

Esse cotidiano agitado costuma constantemente me deixar mau-humorada e atordoada. A rotina inclui acordar mais cedo do que se deseja, ouvir muito barulho, enfrentar pessoas desagradáveis, comer rápido, correr muito (principalmente atrás de ônibus) e deixar para depois algumas coisas preciosas.
Pra ser sincera, eu realmente acho que o mundo não anda muito certo das ideias. Obriga os seus inquilinos a trabalharem oito horas (quando não mais) diárias e utilizarem as que sobram para se alimentar, fazer a higiene necessária e repousar. Para não parecer tão carrasco, nosso querido globo concede o sábado e o domingo para os mais sortudos ou apenas o domingo para os menos afortunados. Mas aí tem que resolver um probleminha em casa, visitar a mãe, sair com o namorado, assistir a uma peça de teatro, fazer uns trabalhos acadêmicos e, quando se vê chegou a segunda-feira novamente.
Quando é, então, que a pessoa para pra contemplar a chuva? Pra aprender a bordar, pra tentar desenhar, escrever, pintar, ficar o dia todo de pijama assistindo televisão ou lendo um livro de cabo a rabo? Quando é que se dá o luxo de dormir no meio da tarde, almoçar lá pelas quatro, dormir quando o sol estiver chegando e fazer mil outras coisas que são essenciais e prazerosas, mas que acabam sempre ficando pra outra hora? Ah! As férias, você vai dizer. Mas elas passam tão rápido quanto o papa-léguas por mim.
Eu posso estar reclamando de barriga cheia (literalmente, pois estou desfrutando das tais férias e enchendo o estômago de chocolate quente no meio de uma tarde de quinta-feira), querendo coisa demais ou sendo utópica, mas continuo acreditando que tem algo de muito desmiolado no fato de as pessoas aceitarem facilmente a ideia de passar a maior parte da vida se dedicando à labuta, enquanto pequenos prazeres ficam esperando para serem desfrutados mais tarde.



Texto e Foto: Priscila Bonatto.

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