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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pensando na vida


Eu tenho umas crises existenciais de vez em quando. Das mais normais às mais extraordinárias. Esses dias me peguei discutindo com meu namorado sobre a existência do mundo, da sociedade, da Terra e da possibilidade de outras vidas e outras civilizações – se é que assim se chamam. E da possibilidade de nunca ter surgido nada, de não existir nada, de nós mesmos não existirmos. Nada. Na-da. Como seria? Eu imagino branco. Um branco total e absurdo. Vazio absoluto. Vida zero. Pra que existe o mundo afinal? Eu sou meio cética. Em Deus não acredito. Então, sei lá, não tenho muitas opiniões formadas a respeito (grande conclusão!).
Mas, tá, não é dessas crises absurdas que eu quero falar. É das mais comuns, que devem atingir a maioria das pessoas. Eu tô com vinte e um anos. O que não é muito, eu acho. Mas sinto que é hora de engrenar em alguma coisa, se é que você me entende. Desapegar do papai (ou do dinheiro do papai, mais precisamente) e começar a pensar em uma vida independente. Isso é super clichê, né? Mas é assim mesmo. De repente essa idade cai como um peso, como um puxão pra realidade. Poderia ser aos dezoito, aos vinte, enfim. Mas para mim está sendo agora. Vejo as pessoas ao meu redor “criando suas famílias”, casando, tendo filhos e parece que estou ficando para trás. O problema é que não sonho com nada disso e aí está o dilema. Eu não sonho com casamento convencional, aliás, eu não acredito nele. Outra coisa: eu não tenho o menor instinto maternal, não acho graça em criancinhas e, portanto, não tenho a mínima vontade de ser mãe. E pra piorar, tenho uma visão pessimista do trabalho, como se, ao invés de um meio de crescimento, fosse um sangue-suga do meu tempo.
É estranho porque é fora do padrão, toda essa minha forma de pensar. A verdade é que até para mim soa esquisito. Principalmente porque um dia eu sonhei com amor eterno, com casamento, com chalé no campo (com filhos não), mas a vida me deu uns tapas na cara e eu acordei, dei um pulo de todo aquele sonho romântico e coloquei os pés no chão.
Eu não sei aonde isso tudo vai me levar, mas eu espero ter mente aberta. Eu espero casar, sim, mas de um jeito diferente. Espero ter um companheiro pra vida toda, mas não ser obrigada a dormir com ele todas as noites. Quero uma casa só minha (e dele), toda bonita e personalizada. E quero, principalmente, nesse momento, ter uma ideia milionária, porque querer colocar as garrinhas pra fora depois dos vinte e não ter condições para isso é triste!




Priscila Bonatto.

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