Pages

domingo, 8 de agosto de 2010

Rasteiras

Eu gostaria de saber o porque da vida ser tão sacana com a gente.
É como quando você encontra aquele garoto ideal no trabalho, mas do nada tem que mudar de setor e adivinha: ele acaba ficando com a secretaria peituda que você odeia. Outras situações mais pessoais também se encaixam nessas rasteiras como: a traição do melhor amigo, irmão, namorado (a), aquela situação que você nunca imaginou passar mas, de um dia pro outro acaba batendo na sua cara como uma bolada violenta do Giba (no seu rosto, não esqueça), ou algo ruim de uma pessoa da qual você não esperava nenhuma pedrada, a morte de alguém importante, a saudade, a desconciliação, as brigas...
Hm, creio que vou ficar depressiva se parar para elencar todas elas (as vezes um pouco de amor próprio faz bem).
Os otimistas vão ver essas situações como uma vitória, por exemplo: sobrevivi ao pior dia da minha vida, uhul!
Algumas pessoas devem pensar "você está reclamando de barriga cheia", "isso que aconteceu contigo não é nada, deixa eu te contar minha história que tu vai chorar de verdade e com motivo", "vou lhe comprar uma chupeta para ver se esse choro para" ou " você não sabe o que é sofrer de verdade".
Ok, fala com a minha mão.
Pensa bem, não é extremista demais julgar assim o problema de alguém, quando quem joga a pedra também possui um teto de vidro?
Você tem um teto de vidro, nunca esqueça disso e tenho certeza que mesmo sem querer você reclama das coisas que acontecem em sua vida (isso é natural e faz parte do ser humano).
Então cada um com seu fardo e todos ficam felizes, ou, na maioria das vezes, não ficam.
Mas me diga, já parou para analisar? Quando você levanta de algo terrível e segue seu caminho em seguida a vida lhe dá uma nova rasteira. Poxa, será que ela é uma velha carrancuda que vive sozinha em uma casa velha e fria? Dá um tempo, não posso sorrir por três minutos que algo acontece e estraga meu dia, minha semana, meu mês, meu ano...
Mas eu ainda não consigo enxergar essas rasteiras como algo positivo e acho que o papo de "quando você cai levanta mais forte" é um pouco de conversa para boi dormir, algo no melhor estilo "dicas para auto estima - não desista módulo 1". Na maioria das vezes você perde alguns pedaços que nunca mais voltarão e, eles fazem muita falta, você aprende a viver sem, claro, é questão de adaptação, mas gostaria muito que eles ainda estivessem ali desempenhando a parte boa para qual foram designados.
Além disso, nem toda marca é sinal de vitória, muitas são sinal de uma tristeza, algo que talvez nunca cicatrize.
Sei que existem pessoas que perderam membros e hoje se pudessem escolher novamente pediriam para voltar exatamente assim, mas eu não consigo me desapegar tão facilmente.
Sou uma candidata boa para a tristeza e a depressão.
Situações ruins me abatem tão facilmente e deixam marcas tão profundas que as vezes não consigo encher meus pulmões de ar. Não me sinto vitoriosa por transpor barreiras, me sinto um cão adestrado obrigado a aprender pela dor.
O amor não existe mais e a vida é mesmo uma velha carrancuda dando chicotadas em todos nós.
Pessimista? Posso ser, quem sabe um dia pense diferente, mas hoje não me animo tanto em jogar confetes pelas situações que estou vivendo.

Priscila Tonon Ramos

Um comentário:

Priscila's disse...

Rasteiras não são mesmo as coisas mais gradáveis, mas fazem parte da vida de qualquer pessoa e isso não vai mudar. Portanto, o negócio é tentar driblá-las. Não é fácil, mas é possível. E eu discordo que seja só balela aquele papo de que você "levanta mais forte após o tombo". Depois de um tempo, com as coisas amadurecidas, você fica mais forte sim, ou no mínimo mais preparado. De certa forma, as rasteiras te fazem crescer, te fazem parar pra pensar, te jogam num desafio. Claro que é muito mais gostoso aprender pelo sucesso, mas nem só de flores é feita a nossa caminhada. Enfim...eu sei que falar é muito fácil, sei que ser pressionada e carregar responsabilidades exige reflexão e escolhas e isso é difícil. Mas não se deixe agalinhar Perê, e não seja presa fácila para a depressão. Você não merece.