Pages

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Quinta-feira

Hoje, como de costume acordei antes de abrir os olhos e pensei: "ok, quinta-feira, seria pior se fosse segunda-feira". Essa é uma maneira animadora de encarar um novo dia, a não ser que esse dia seja realmente uma segunda-feira, ai não existe santo que anime o fato de acordar e perceber que: existe uma semana toda pela frente e pior se essa semana for de trabalho escravo (drama, ai mesmo que o santinho do trabalhador não ajuda em muita coisa não). Pois bem, levantei da minha cama quentinha e aconchegante pra encarar a carrancuda e fechada quinta-feira, pé direito/pé esquerdo e pantufas de girafa. 
Abri as cortinas esperando um raio de sol de surpresa, até enruguei a testa achando que ele iria me pegar mesmo desprevenida, mas não, nada de sol, no lugar dele havia um dia cinza e gelado, parecia que olhava pra mim e dizia: se ferrou, vai ter que levantar! 
As vezes eu me pergunto: por que não posso me animar com essas coisas? Por exemplo: "Aeeeee! Acertei o dedinho na quina da mesa", ou "que maneeeeiro queimei minha testa com a chapinha", "que dia maravilhoso pra sair da cama: esta nublado, -9º, chovendo, nevando, granizo, tempestade e raios", vibrando, vibrando, comiiigo e vamos fazer uma canção animada sobre isso? Não. Não vamos fazer não, porque isso raramente animaria alguém. 
Ainda tenho esperança de dar risada da minha própria desgraça (plástica natural meu bem). 
Então, fui me arrastando até a cozinha, silêncio, a água já estava quente (maravilha), silêncio, peguei minhas humildes torradas com margarina, silêncio, foi quando do nada comecei a ouvir barulhos desesperados vindo do escritório, dois porquinhos da índia famintos tentavam escalar a gaiola, seus olhos sedentos por comida me aterrorizavam e suas pequenas bocas mostravam dois dentes afiados, eles apontavam o dedo para mim (comiiiida) então peguei duas folhas de couve e dei uma para cada um, (ótimo, viraram duas bolinhas de pêlo novamente).
Me esparramei no sofá, peguei o controle e mudei insistentemente de canal e, acreditem, não havia nada interessante pra assistir na TV em uma quinta-feira de manhã (novidade), peguei algumas poucas folhas e uma caneta bic azul rabisquei algumas palavras que seriam o início desse texto meia boca sobre minha humilde e esquecida manhã. Risca de cá, ajeita lá, pra variar acabei perdendo a vontade de escrever, foi quando estiquei o pescoço, olhei para o corredor, vi a luz no fim do túnel e tive uma ideia genial (qualé, poderia ser milionária) afinal para quê ficar sozinha, no frio e sem nenhum programa espetacular, se minha cama ainda estava quentinha e lá, no aconchego do meu quarto eu ainda teria a companhia do meu amigo inseparável e leal, o travesseiro. Você acha que eu fiz o que? Claro não é? Sou muito esperta, não posso bobiar, daqui a três dias vai ser segunda-feira e não se engane, preciso estar preparada para a guerra e enquanto ela não chega eu quero mais é aproveitar muito bem minha quinta-feira: dormindo.



Priscila Tonon Ramos 05/08/2010

Um comentário:

priscilabonatto. disse...

Eu descobri a resposta para o questionamento que eu tinha achado interessante (lembra? u.u)! É pq se a gente achasse maravilhoso queimar a testa com a chapinha, ou chover granizo e estar um frio do demo, ou, sei la, bater o dedo na quina, significaria que achamos tudo bom, e que não haveria infelicidade e, não havendo infelicidade, que graça haveria em seu inverso? maaaaaaaas eu sou um genio! rdv

PBonatto.